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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

2010: o ano do relacionamento digital

Falta menos de um mês para acabar o ano de 2010. Passou rápido, mas foi suficiente para entendermos a relevância e a proporção que o ambiente digital vem ganhando no mercado brasileiro. 2010 foi um ano marcado pelo foco em mais planejamento e em estratégia para se atingir mais retornos. Foi um ano de descobertas, foi o ano do boom das compras coletivas que chegaram e vieram pra ficar. Foi o ano do marco do comércio eletrônico, no qual as pessoas consumiram mais pela internet e começaram a mudar seus hábitos de compra, privando a agilidade e a comodidade em meio a tantas outras tarefas cotidianas. Continue lendo!

Menos da metade da América Latina usa internet, diz pesquisa

03 de dezembro de 2010 • 17h01 • atualizado às 17h37


A América Latina tem avançado rapidamente em sua conectividade à internet nesta década.
No entanto, sua penetração continua baixa e não passa da metade da população da região, revelou um estudo nesta sexta-feira do grupo de pesquisas Latinobarómetro. Continue lendo!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mitos e verdades da aids

Por Bruno Folli, iG São Paulo 01/12/2010 07:00
Apesar da evolução nas formas de tratamento e prevenção, a aids continua sendo uma ameaça significativa aos brasileiros. Estima-se que existam entre 460 mil e 810 mil pessoas contaminadas pelo vírus, de acordo com as Nações Unidas. Continue lendo!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Universidades da Suécia tentam atrair alunos brasileiros


Folha de São Paulo, 29/11/2010 - São Paulo SP
Por FÁBIO TAKAHASHI ENVIADO ESPECIAL À SUÉCIA
Estudantes de mestrado e doutorado são os principais alvos das instituições, que divulgarão cursos no Brasil. Escolas temem perder alunos estrangeiros por cobrança de taxas, antes inexistentes, em cursos de mestrado
De um lado, cursos de boa qualidade (em inglês), povo amigável e um novo programa de bolsas de estudo. Do outro, novas taxas, alto custo de vida e inverno rigoroso. Em meio a vantagens e desvantagens, a Suécia busca atrair brasileiros para suas universidades, especialmente em mestrado e doutorado. Continue lendo!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Pesquisadores usam jogos de celular para alfabetizar crianças chinesas

22/10/2010 - Numa área rural da China, pesquisadores do projeto Mobile & Immersive Learning for Literacy in Emerging Economies (MILLEE) usaram o aparelho celular como ferramenta de alfabetização de crianças chinesas.


Estudiosos da Universidade de Carnegie Mellon, Berkeley, e da Academia Chinesa de Ciências, trabalharam com crianças em Xin´an, uma região subdesenvolvida na província de Henan, na China. Eles utilizaram jogos de aprendizagem, inspirados em jogos infantis tradicionais da China e repetiram o mesmo experimento com crianças em escola particular na região urbana, em Pequim. Os pesquisadores concluíram que jogos de celular podem ser uma ferramenta útil para alfabetização.
De acordo com Mateus Kam, da Carnegie Mellon, apesar do celular possuir uma tela pequena e com baixo poder computacional, o aparelho poderá se tornar um importante recurso educativo. E se demonstrarem os benefícios educacionais dos celulares de forma convincente, acrescentou, os consumidores terão uma motivação adicional para obter um serviço de telefonia móvel, o que pode impulsionar a adoção do celular nos países em desenvolvimento.


O Projeto

Primeiro, os pesquisadores do Millee tiveram que criar jogos que fossem significativos e úteis para as crianças com pouca ou nenhuma experiência com a escrita ou computadores. Eles analisaram 25 jogos tradicionais chineses para identificar elementos para serem usados em jogos educativos.


A Nokia patrocina um projeto de alfabetização do Millee para crianças da zona rural da Índia usando jogos no celular, que começou com 800 crianças em 40 aldeias no sul da Índia. O Millee também está trabalhando com a Universidade de Nairobi para identificar como os jogos poderiam ser adaptados para alfabetização de aprendizagem de inglês para crianças da zona rural no Quênia.


Fonte: Portal Mobilepedia
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:35 hs.

Twitter chega à sala de aula como ferramenta para aprender técnica literária

Escola usa regra básica do microblog, o limite de 140 caracteres por mensagem, para que alunos desenvolvam narrativa e concisão em minicontos
Lais Cattassini, do Jornal da Tarde


"O telefone tocou. Seria ele? O que ele queria? Ela já não havia dito que era o fim? Ela atendeu o telefone. Não era ele, era pior." Em apenas 140 caracteres, o permitido para cada post no microblog Twitter, adolescentes aprenderam, em sala de aula, a usar a rede social como plataforma para contar pequenas histórias como essa. A técnica literária, conhecida como microconto, nanoconto ou miniconto, foi praticada pelos alunos do Colégio Hugo Sarmento no perfil @hs_micro_contos do Twitter. Para escrever uma história coerente em tão poucas palavras, os estudantes tiveram de ficar atentos à narrativa, à concisão e ao sentido do que era postado, algumas habilidades já dominadas pelos adolescentes, acostumado com a rapidez da internet. 

Embora o Twitter seja usado com mais frequência para relatos e comentários do cotidiano, não ficcionais, os microcontos já têm adeptos na rede social. Há perfis totalmente dedicados à técnica e usuários que costumam escrever mini-histórias, como a cantora Rita Lee (@LitaRee_real). "Cada história precisava ter um começo, meio e fim. Não dava, por exemplo, pra ficar descrevendo o cenário", conta Pedro Rubens Oliveira, de 13 anos, que participou do projeto. O professor de língua portuguesa do ensino fundamental Tiago Calles, que propôs o exercício na escola, conta que aproveitou os limites de espaço da rede para trabalhar a estrutura da narrativa e as poesias concretas, abordadas em aula, de uma maneira diferente. "O fato de envolver uma outra plataforma interessou os alunos, que se sentiram mais motivados", afirma. 

Talissa Ancona Lopes, de 13 anos, conhecia pouco do Twitter antes de usar a plataforma na escola. "Tive um perfil por algum tempo, mas depois excluí", conta. Dona de perfis em outras redes sociais, ela encontrou uma nova utilidade para a rede. "É mais divertido aprender dessa maneira." A diversão costuma estar associada às redes sociais. Segundo a assessora de tecnologia educacional da Escola Viva, Elizabeth Fantauzzi, os estudantes têm dificuldade para enxergar o Twitter como uma ferramenta de aprendizado. "Para eles, aquilo não pode ser usado em aula, mas é um material muito rico se for aproveitado com um sentido pedagógico", diz. 

Tecnologia. Não só a familiaridade com a internet estimulou a exploração do tema em sala de aula, mas também a fluência na linguagem tecnológica dos alunos. Na Escola Viva, estudantes do fundamental fizeram um projeto em que usaram conversas por mensagem de celular para montarem micro-histórias. "Os adolescentes têm fluência na linguagem digital. Cabe aos professores aproveitar isso e aplicarem em sala de aula", afirma Elizabeth. A intenção das escolas é transformar a facilidade com a escrita da internet - com seus símbolos e abreviações - em habilidades também nas redações mais acadêmicas. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado, o desempenho dos estudantes na área de Linguagens e Códigos foi justamente o que mais deixou a desejar. Em nenhum colégio a média de 700 pontos - em uma escala que vai de zero a mil - foi atingida.



ENTREVISTA - "Às vezes duas palavras bastam para expressar um sentimento".
Tiago Calles, professor de língua portuguesa do Colégio Hugo Sarmento. Professor defende que qualidade e criatividade podem ser expressas em textos curtos.
 

Você tem perfil no twitter? Não. Tenho e-mail, Orkut, mas achava que precisava encontrar uma maneira mais útil de usar o Twitter antes de criar um perfil. Por isso apresentei os microcontos em sala de aula. Queria avaliar os possíveis usos para a ferramenta. 

É possível revelar a personalidade dos autores em textos tão curtos? Sim. As poesias concretas demonstram isso. Às vezes duas palavras bastam para expressar algum sentimento ou ideia. Eu acho que os adolescentes conseguiram passar um pouco de suas personalidades nos textos que escreveram. 

Os alunos podiam usar abreviações nos contos? Podiam. Por ser um texto literário, eles tinham liberdade para escreverem da maneira que queriam. Curiosamente, nenhum dos textos que recebi tinha essas abreviações usadas na internet.

O Estado de São Paulo, 18/10/2010 - São Paulo SP

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Especialista em finanças é procurado

O crescente interesse de leigos por investir na Bolsa de Valores abre oportunidades para o analista de investimentos on-line. "Com a economia aquecida e as projeções da Bolsa, os novos investidores precisarão de mais analistas para direcionar ações no mercado", sinaliza Lucy Sousa, presidente da Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), entidade reguladora da profissão. Boa parte da categoria é composta de jovens, como Francisco Nogueira, 26, que trabalha há dois anos na corretora Coinvalores. Profissionais como Nogueira avaliam as cotações de moedas, os índices das Bolsas de Valores e da inflação, a taxa de juros e os rendimentos de fundos de rentabilidade como a poupança ou o CDB (Certificado de Depósito Bancário). A partir dessa análise, orientam clientes sobre como investir.



O auxílio pode ocorrer pessoalmente, por telefone ou por ferramentas de bate-papo da internet, como o MSN. Os números da Apimec confirmam o interesse de profissionais pela área. Foram concedidos 195 CNPIs (Certificado Nacional do Profissional de Investimento) em 2009. No ano anterior, 143, e em 2007, 57, segundo a instituição. Neste ano, foram cadastrados 92 novos analistas. Em setembro, a BM&FBovespa lançou o programa "Quer ser sócio?", que visa aumentar o número de investidores na Bolsa de Valores. A meta é alcançar 5 milhões em cinco anos -atualmente são cerca de 600 mil. O programa é focado em pessoas físicas, que geralmente necessitam de orientações sobre o funcionamento do mercado de capitais.



FERRAMENTAS ON-LINE


Apesar do crescimento do número de profissionais, existe uma ameaça à abertura de postos de trabalho. Algumas ferramentas oferecem o mesmo serviço prestado pelos analistas de investimentos. Um exemplo disso são os algoritmos, sistemas que operam a negociação sem a necessidade de que alguém tome a decisão de compra ou venda de ações. Angelo Larozi, 36, analista de investimentos da corretora Spinelli não parece preocupado com o mecanismo. "Não acho que serei prejudicado. A experiência de mercado é fundamental", complementa Larozi. Já o diretor-superintendente da Ancor (associação de corretoras), Carlos Eduardo Lofrano, diz que as ferramentas ajudam e podem ser mais rápidas que o analista. "Mas sempre será necessária a pessoa para pensar cuidadosamente no investimento mais adequado ao cliente", opina Lofrano. (BB)

Folha de São Paulo, 03/10/2010 - São Paulo SP

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Livros digitais podem estimular mais crianças a ler, aponta estudo

30/09/2010 - Pesquisa concluiu que pais estão preocupados com acesso à tecnologia. Cerca de 57% das crianças afirmaram ler um livro em um e-reader



O tempo que as crianças passam lendo livros por diversão diminui conforme elas utilizam celulares e outros aparelhos de tecnologia móvel, mas os livros digitais (e-books) podem trazê-las de volta à literatura, de acordo com um estudo divulgado na quarta-feira (29). O estudo, conduzido pelo grupo de mídia e educação Scholastic e pela empresa de consultoria em pesquisa e marketing Harrison Group, também concluiu que os pais estão preocupados que o maior acesso à tecnologia pode limitar o tempo de leitura ou com a família.



Cerca de 40% dos pais acreditam que o tempo que as crianças permanecem on-line ou utilizando dispositivos móveis reduziria o período gasto com livros ou atividades físicas. Cerca de 33% mostraram receio de que a tecnologia leve as crianças a passar menos tempo com a família.



Porém, o estudo também descobriu que a tecnologia pode na verdade estimular uma criança a ler. Das crianças pesquisadas, 57% disseram que ficariam interessadas em ler no e-reader. Cerca de um terço das crianças disseram que leriam mais livros por prazer caso os leitores digitais estivessem a seu alcance. Entretanto, 66% afirmaram que continuariam a ler livros impressos mesmo com uma maior disponibilidade do e-book.
Francie Alexander, vice-presidente acadêmica da Scholastic, afirmou em comunicado que os resultados do estudo mostram que os e-books podem ter um importante papel educacional. "Se pudermos pegar um terço de todas as crianças, muitas delas leitoras forçadas, para que gastem mais tempo lendo por prazer nos e-books, esse tempo adicional gasto construindo fluência e vocabulário não só as ajudaria a se tornarem mais proficientes na leitura, mas também as auxiliaria a acompanhar textos mais complexos que elas encontrarão no ensino médio e na universidade", disse ela.

- O CM News é uma publicação diária da CM Consultoria de Administração Ltda. Artigos, notícias e matérias são compiladas das mais diversas fontes em todo o Brasil. A inserção dos referidos não refletem necessariamente a opinião da CM Consultoria, pois os mesmos são recebidos e reproduzidos na integra, não havendo alteração por parte da CM Consultoria, a não ser por autorização do veículo ou do autor.


Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Pesquisa indica como elaborar um currículo atraente

29/09/2010 - No espaço destinado ao objetivo, a pessoa deve apresentar o cargo que deseja, quanto à área de atuação que está buscando.
Por Karla Santana Mamona - InfoMoney.


Um currículo mal elaborado pode prejudicar o profissional na busca por uma nova oportunidade. Antes de encaminhar as informações à empresa, o candidato deve avaliar o número de páginas do currículo, formação acadêmica, objetivo, resumo de qualificações, entre outros aspectos.

Uma pesquisa realizada pela Right Management, com headhunters e Executives Searches, aponta que o número de páginas mais indicado para a construção de um bom currículo é duas.


Na elaboração de um currículo, 79% dos recrutadores disseram que o documento deve conter o resumo de qualificações e descrição dos cargos.


Já no espaço destinado ao objetivo, o profissional deve apresentar tanto o cargo que ele deseja como a área de atuação que está buscando no mercado de trabalho.

Formação acadêmica

Em relação à formação acadêmica, 85,3% dos entrevistados disseram que a pessoa deve citar especialmente os cursos de graduação e especializações. Os cursos não concluídos, mas cursados por um período superior à metade da grade curricular, também podem ser citados.
O candidato pode incluir ainda os cursos complementares, considerados um indicativo de que o profissional é interessado no autodesenvolvimento. Entretanto, os consultores da Right alertam que as informações devem ser pertinentes e os cursos citados devem ser recentes, realizados nos últimos quatro anos.

A data de nascimento e o estado civil também são itens importantes. De acordo com o levantamento, 54,9% dos consultores disseram que devem ser destacados, assim como as realizações e os resultados expressivos alcançados pelo profissional.

Formato ideal

Sobre a maneira mais correta de elaborar o currículo, segundo a opinião de 80% dos avaliadores, é dividir o texto em itens.
A consultora sênior de Transição de Carreira da Right Management, Telma Guido, explica que o profissional deve optar em escrever o texto em formato de tópicos para facilitar a avaliação da empresa.
“O especialista em avaliação de currículo tem de ficar estimulado em ler a informação escrita no documento. O texto em tópicos, além de ser mais prático para o leitor, possibilita a chamada análise dos trinta segundos”, afirma.

Ela acrescenta que este tipo de análise consiste no primeiro contato do avaliador com o currículo, que neste momento precisa encontrar as informações relevantes à vaga e entender quem é o candidato.

Somente em uma segunda etapa será feita a leitura com mais atenção. Outra ressalva sobre o texto em tópico é que o formato favorece uma linha de raciocínio coerente tanto na construção das informações como na leitura do avaliador.


Realizações

Outro destaque do currículo é a menção de realizações e resultados conquistados pelo candidato. O profissional deve ter cuidado ao escrever a conjunção verbal. “O correto é utilizar o verbo substantivado, por exemplo, desenvolvimento de algo ou implantação de algo e não eu desenvolvi ou eu implantei”, aconselha Telma.

Outros resultados


A pesquisa aponta ainda que:


* 73% das empresas preferem a apresentação do idioma por nível (fluente/avançado/intermediário/básico);


* 96% disseram que a ordem para apresentação do histórico e experiência profissional deve ser apresentada do último para o primeiro emprego;


* 96% preferem que as datas de admissão e de desligamento devem ser menciondas por mês e ano;


* 56% apontam que a melhor forma de apresentar a experiência profissional é por descrição tanto dos cargos como das qualificações;


* 69% divulgaram que somente as viagens internacionais com propósito de trabalho devem ser mencionadas no histórico profissional.

Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:34 hs.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dobra número de alunos a distância

A cada semestre, o número de alunos procurando cursos não presenciais aumenta. Goiás conta hoje com 199 polos de apoio ao ensino a distância e 34 estão concentrados em Goiânia, segundo dados da Secretaria de Educação à Distância (Sede do Ministério da Educação). No levantamento do Censo EAD (Ensino a Distância) de 2009, o MEC divulgou uma estimativa do crescimento em 2008 e constatou que havia cerca de 760.599 alunos e 415 instituições de ensino superior, um crescimento de 90% a 100% no ano.

A coordenadora dos Cursos a Distância da Universidade Paulista do Setor Bueno, Cleide Coelho Martins, de 28 anos, conta que o número de alunos nesses cursos, no último semestre, aumentou 35%. “Desde que lançamos esta opção, em 2007, a procura tem aumentado e é grande”. Ela revela que as pessoas procuram esta opção por falta de tempo para ir à faculdade e tem acima de 28 anos. “Tem gente que trabalha com viagem, ou o dia todo e tem outras atividades à noite, e acaba que esta se torna a melhor opção para não ficar parado diante do mercado.”

Outro motivo que tem feito com que a procura por este ensino aumente é que os cursos são mais baratos, aponta Cleide. “Como tem só um professor, que grava cada disciplina para todos que fazem o curso, tanto no Brasil como exterior, pois temos estudantes no Japão, é mais barato.”

Na Universidade Federal de Goiás, que iniciou oficialmente suas atividades com educação a distância em 2000 com a criação do Centro de Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação a Distância, a procura pelos cursos também tem aumentado.

Segundo a professora do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia de Goiás (IFG), Gilda Aquino de Araújo Mendonça, 55, a universidade iniciou este ensino com o curso de Administração, como projeto piloto, e a demanda foi tão boa, que tiveram que ampliar o sistema. “Com o crescimento da demanda, começamos a disponibilizar os cursos de graduação em Artes Visuais, Física, Ciências Biológicas, Educação Física e Artes Cênicas e os de pós-graduação em Metodologia do Ensino Fundamental, Gestão escolar e Tecnologias Aplicadas ao Ensino da Biologia".


Textos são principais fontes

A professora Gilda explica que na educação a distância o aprendizado se dá de uma maneira um pouco diferenciada pelas características desse tipo de ensino onde os textos e os livros são grandes fontes de conhecimento, porém, o aluno precisa assimilar informações muitas vezes sozinhos, apesar de ter o professor/tutor disponível para eventuais dúvidas.

“Na educação a distância se percebe que se diferenciam muito do ensino presencial, pois podem até possuir o mesmo objetivo que é a transmissão e construção de conhecimento, mas divergem bastante uma da outra na forma de se passar esse conhecimento. Enquanto o ensino presencial preocupa-se com o unitário, a Educação a Distância trabalha com o ensino em massa”.

Com a educação a distância o treinamento pode ser mais flexível. Enquanto você estiver na frente do seu computador poderá estar na sala de aula, no momento em que desejar. Motivado pela opção de escolher o horário de estudo, Flávio Braga, 28, empresário, começou a fazer o curso a distância de gestão em marketing, no ano passado e vai se formar no fim deste ano. “Escolhi fazer o curso por satélite por conveniência. Tenho a vantagem de organizar meu dia, estudar e ainda exercer outras atividades.”

Esta é a primeira vez que Flávio estuda a distância e, segundo ele, a metodologia é democrática e pode alavancar a educação. “Pessoas em qualquer lugar do mundo podem estudar. Se o curso não tiver na cidade em que mora, pode fazer a distância e ter a mesma oportunidade que outras pessoas, o que é muito bom”. Ele afirma que está gostando do curso e que se tiver oportunidade, fará outro.

Mesmo gostando da tecnologia, o estudante observa que o ensino tem algumas desvantagens, pois é limitado. “Mesmo tendo contato com os professores por email, não é a mesma coisa que pessoalmente”, afirma ele, que acredita que o aprendizado depende do aluno. “Se ele está focado a aprender, ele vai aprender, não adianta está numa sala de aula, e ficar desatento.”


Desistência de até 30%

Para quem precisa ficar em casa, seja para cuidar de crianças, pessoas enfermas ou de idade avançada, e não pode se deslocar, esta também é uma ótima opção. Assim, em vez dessas pessoas “irem” até a escola, a escola vai até elas.

Outros beneficiados, segundo a Abed, são pessoas que trabalham para sua sustentação e não podem frequentar aulas presenciais em horários tradicionais assim, fazendo um curso a distância via internet, eles podem participar, assincronicamente, de todas as atividades com todos os outros inscritos no curso, nos dias e horários mais convenientes.

Gilda destaca que a margem de desistência neste método é de 20 a 30%, mas depende muito do curso. Atentos a esta questão, ela revela que “os orientadores e tutores estão atentos a esta evasão, enviando mensagens de estímulo e motivação.”

COMO ESCOLHER

Na hora de escolher qual curso e onde fazer é preciso ficar atento a algumas questões para não ser prejudicado. A coordenadora dos Cursos à Distância da Universidade Paulista do Setor Bueno aconselha a observar a estrutura da faculdade, ver se é uma instituição séria e procurar no site do MEC se o curso é reconhecido e tem turmas formadas.

Segundo a Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação, a escolha do curso a distância deve ser feita da mesma maneira que a escolha de um curso presencial observando aidoneidade e reputação da entidade, bem como dos coordenadores e professores do curso. Também é indicado conversar com pessoas que já estudaram ou estão estudando na unidade. Para o caso de cursos que conferem titulação, solicite cópia ou referência do instrumento legal (credenciamento e autorização do MEC ou do Conselho Estadual de Educação) no qual se baseia sua regularidade.


Opção para moradores distantes

Para o presidente da Associação Brasileira de Ensino à Distância (ABED), Frederic Litto, este sistema reúne diversas vantagens. A primeira está na possibilidade de incluir em todas as formas de educação formal e informal as pessoas com deficiências físicas e mentais que não tem como frequentar instituições convencionais de aprendizagem. Também, pessoas que moram em lugares isolados, afastados dos locais onde é possível obter novos conhecimentos e habilidades. No Censo do MEC, as insituições indicaram uma média de 42% de alunos de cursos à distância fora do estado sede, estudando em polos educacionais.


Por: Flávia Moreno

Fonte: http://www.ohoje.com.br/cidades/11-04-2010-dobra-numero-de-alunos-a-distancia/

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ensino a distância atrai 1 em cada 5 estudantes

Estudo confirma tendência de crescimento da metodologia em que aulas são dadas em parte na internet.



Dados do Ministério da Educação mostram que um em cada cinco novos alunos de graduação no País ingressam em um curso a distância. Ou seja: cerca de 20% dos universitários já estudam entre aulas na internet e em pólos presenciais. Os números indicam um rápido avanço da modalidade, ainda pouco conhecida da maioria da população.


O grande impulso para o crescimento do modelo semi-presencial – apesar do nome, aulas totalmente a distância são proibidas pela legislação – foi dado pelo próprio governo, com a criação da Universidade Aberta do Brasil, em 2005. A instituição tem 180 mil vagas em cursos superiores oferecidos em parceria com universidades federais.


No mês passado, a Universidade de São Paulo (USP), que até então resistia em adotar o modelo, lançou junto com o governo do Estado seu primeiro curso a distância, uma licenciatura em Ciências voltada também para formação de professores. A primeira turma a distância da Universidade Estadual Paulista (Unesp) começou suas aulas neste semestre.


“Os estudantes são atraídos pela versatilidade, modularidade e capacidade de inclusão que a metodologia oferece”, afirma o pesquisador Fábio Sanchez, autor do levantamento e um dos coordenadores do Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância. Por outro lado, a modalidade exige autonomia do estudante, porque as aulas são construídas por meio de tecnologias como fóruns de discussão, videoconferências e chats pela internet.


Algumas avaliações também podem ser feitas online, mas as provas devem ser presenciais, assim como parte do conteúdo das aulas e atendimentos com os professores. “A tendência é que a educação presencial e EAD se misturem cada vez mais no futuro”, afirma Sanchez.


Por enquanto, o modelo a distância tem mantido taxas altas de crescimento (50% ao ano, em média), enquanto o avanço da graduação presencial tende a se estabilizar (3,5% em 2008). Além da presença forte no setor público, diversas universidades e faculdades privadas adotaram nos últimos anos o modelo a distância, tanto na graduação quanto na pós.


“A graduação EAD vai crescer cada vez mais porque o presencial não consegue atender todo mundo”, explica Marta Maia, professora da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo e membro do conselho científico da Associação Brasileira de Ensino a Distância. “A modalidade atrai pessoas que trabalham para sustentar a família, têm mais de 30 anos ou que moram em cidades onde não há universidades. E no Brasil há muita gente com esse perfil.”


Desempenho. Na avaliação do o secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, o Brasil ainda passa por um processo de aceitação e conhecimento do que é a modalidade. “A EAD é um fenômeno mundial e aqui no Brasil ainda demorou para se estabelecer.” Ele cita o resultado das avaliações do ensino superior conduzidas pelo ministério que mostram desempenho semelhante e em alguns casos superior dos estudantes de EAD em relação ao alunos de cursos presenciais.


Mesmo assim, há resistência de gestores que organizam concursos públicos e conselhos de classe. Em fevereiro, a Justiça Federal suspendeu uma resolução do Conselho Federal de Biologia que proibia a concessão de registro profissional para alunos formados a distância


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Linguagem única na contabilidade mundial

Por Ricardo José Patine Filho - Administradores.com.br

No final do século 19, o filólogo polonês Ludwik Zamenhof propôs a criação de uma língua de fácil compreensão, que unisse elementos de diversos idiomas e contribuísse para um melhor entendimento entre todos os povos do mundo.

Nascia assim o esperanto, que à parte o fato de ser a língua de origem artificial mais conhecida mundialmente, não chegou nem perto de cumprir o papel sonhado pelo seu criador. Na prática, foi o inglês, e não o esperanto, quem assumiu esse papel de "idioma universal".

A história do esperanto nos mostra que a integração da linguagem entre os povos não é tarefa fácil. Felizmente, porém, ao menos no que diz respeito às normas contábeis, podemos nos considerar razoavelmente bem sucedidos no processo de unificação da linguagem.

Graças às Normas de Contabilidade Internacional (International Financial Reporting Standards, conhecido pela sigla IFRS), mais de 100 países "falam" a mesma linguagem contábil, que foi estipulada pelo International Accounting Standards Board (IASB). Isso permite que os balanços e demonstrativos de uma empresa sejam uniformemente compreendidos por todos os seus potenciais clientes e parceiros.

A adoção de um padrão global é uma medida sensata e inteligente num cenário em que, pelo menos no que diz respeito aos negócios, as fronteiras entre os países são cada vez mais tênues. Em outras palavras: ao harmonizar a linguagem, o padrão único facilita as análises por parte dos investidores estrangeiros.

No Brasil, o IFRS começou a ser adotado recentemente, graças à Lei 11.638, de 2007. Pela legislação, todas as sociedades anônimas de capital aberto terão até 2010 para assimilarem completamente as novas diretrizes. Aquelas que fizeram suas IPOs (abertura de capital ao mercado) de 2007 em diante já têm que estar adequadas a partir de 2009.

Apesar do prazo razoável, muitas empresas de capital aberto e instituições financeiras incluíram relevantes conceitos estabelecidos pelo IFRS, tais como o impairment e o ajuste a valor presente, nas demonstrações financeiras de 2008.

Porém, da mesma forma que todo mundo teria de aprender esperanto para que essa linguagem universal fosse instituída com sucesso, os profissionais da área de contabilidade terão se atualizar para poderem trabalhar eficientemente sob a vigência do IFRS.

Quanto mais rápido fizerem isso, melhor. Os especialistas estimam que, em breve, todas as empresas - dos pequenos empreendimentos às gigantes multinacionais - adotarão os princípios da Lei 11.638 e do IFRS como referência contábil.

É importante enxergar a adoção do IFRS como um sinal de amadurecimento do Brasil. Já estamos mais competitivos e modernos na nossa maneira de competir no mercado externo, e conquistamos uma posição sem precedentes no tocante à atração de investimentos. A normalização contábil do País, em alinhamento ao que há de mais moderno nessa área, é algo mais em nosso favor.


Ricardo José Patine Filho - gerente do escritório de São José dos Campos da BDO, quinta maior empresa do mundo em auditoria, tax e advisory.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

As vantagens da graduação a distância

Estudar no horário em que achar melhor, não precisar enfrentar trânsito para ir à aula e poder fazer parte do curso superior no conforto de casa. A proposta de alguns cursos de graduação a distância parece sedutora, principalmente quando se leva em conta toda a flexibilidade que eles oferecem. No entanto, antes de optar por esta modalidade, é preciso ter em mente quais são suas características e se ela é a mais indicada para você.

Um dos primeiros mitos a serem derrubados é a aparente facilidade. Apesar de alguns cursos não exigirem a presença do aluno em salas de aulas, isso não significa que a faculdade será mais fácil que uma presencial, em que há chamada, professor, aluno, quadro, carteira e todo o pacote tradicional. “Na verdade é preciso se esforçar mais do que em um curso presencial. É o aluno quem vai atrás do conhecimento e, se ele não for, não vai conseguir aprender”, adverte Bruno Rosa da Silva, 20 anos, que se formou no ano passado em Tecnologia em Marketing e Propaganda pela Fatec Internacional, na modalidade de Educação a Distância (EAD).

Assim como ele, cada vez mais estudantes decidem pela EAD na hora de ir atrás do diploma universitário. Tanto que a modalidade de ensino vem crescendo muito nos últimos anos. Segundo o último censo da área (divulgado no dia 28 de setembro durante oCongresso Internacional Abed de Educação a Distância), o número de alunos su biu 90% ao longo do ano 2008, chegando no início de 2009 a cerca de 2 milhões de estudantes espalhados pelas 215 instituições públicas e privadas de todo o país. Somente a graduação responde por mais de 500 mil estudantes no Brasil, e os cursos superiores de tecnologia por outros 440 mil. No Paraná, são mais de 190 mil alunos, quase todos na educação superior e no ensino particular.

Mas o que leva uma pessoa a procurar uma graduação a distância? A história de Bruno pode, de certa forma, responder a pergunta. Ele trabalhava em uma empresa de segurança em Curitiba e tinha horários muito variados, o que o impedia de se matricular em um curso presencial. A EAD, então, foi uma solução para o seu principal problema: o tempo. “O curso a distância é mais flexível e se encaixava mais na nossa rotina”. Ele diz “nossa” porque fez o curso junto com seu pai, Luiz Fernandes da Silva, de 46 anos. Hoje, os dois graduados pretendem abrir uma agência de marketing.

O tempo, como no caso de Bruno, é um dos motivos pelos quais se procura um curso a distância, mas não o único nem o principal, segundo Rita Tarcia, conselheira fiscal daAssociação Brasileira de Educação a Distância (Abed) e pesquisadora da modalidade. Em um país de dimensões continentais, a distância dos grandes centros ainda é um empecilho para o aprendizado. “A EAD assume a responsabilidade da disseminação do conhecimento. Não apenas um profissional no grande centro evita de pegar trânsito para aprender, mas também alguém no interior do país evita de fazer viagens de horas para chegar à escola todos os dias. Isso é muito importante. Estamos dando oportunidade para quem antes não tinha como aprender.”

  • Nem tudo são flores

O desconhecimento ainda pode atrapalhar quem opta pela Edudação a Distância (EAD), principalmente quando se questiona que ela substituirá o modelo tradicional. Uma preocupação desnecessária, segundo Rita Tarcia, da Abed. “O crescimento do número de cursos a distância e os investimentos do governo e de grandes instituições não pretendem substituir o ensino presencial. Elas são modalidades diferentes. Não deve haver medo nesse sentido.”

O preconceito é outro assunto delicado, principalmente quando se trata do mercado de trabalho. Até pouco tempo pesava sobre a EAD o estigma dos cursos por correspondência, mas a situação está se transformando. “O mercado de trabalho já apresenta um nível de aceitação muito bom dos cursos a distância. Muitas empresas também utilizam ferramentas de aprendizado não presencial para seus treinamentos”, diz Rita.

Exemplo dessa aceitação é Jonas Bettero Pereira Machado, 21 anos, que está no último ano do curso de Pedagogia na Faculdade Interna cional de Curitiba (Facin ter) e já trabalha como coordenador pedagógico em uma escola particular. Ele afirma que o formato do curso fez com que desenvolvesse qualidades importantes para o mercado de trabalho. “A pessoa que faz um curso desses se torna mais autônoma, porque tem que correr atrás, muito mais do que quem está num curso presencial”, avalia.

  • O nome é o que conta

Na hora de disputar um emprego, o fato de o profissional ter feito um curso presencial ou a distância não é o mais importante. Segundo empresas de as sessoria em Recursos Hu manos, o que realmente ajuda ou atrapalha um candidato é o nome da instituição em que ele se formou. “Grandes empresas e multinacionais procuram candidatos com graduação em grandes instituições. Nunca vi uma organização barrar um profissional por ter feito curso a distância”, afirma Michele Car valho Gelinski, consultora de carreira da Chess Human Resources.

Michele ressalta que até 2006 ainda havia empresas que olhavam com certo receio os candidatos formados em cursos a distância. Mas a situação mudou depois que instituições conceituadas passaram a oferecer a modalidade. No Paraná, a UFPR é uma das que aderiram ao formato. ”O aluno formado em um curso a distância é um aluno UFPR como os outros. Não está especificado no diploma se o aluno fez curso a distância ou não”, afirma Gláucia da Silva Brito, coordenadora acadêmica da Coordenadoria de Integração de Políticas de Educação a Distância (Cipead) da UFPR.

E é sempre bom lembrar: um diploma de graduação a distância é igual e vale exatamente o mesmo que o de um curso presencial. Por isso, a pergunta que você, estudante, deve fazer não é a se vale a pena fazer uma graduação a distância, mas sim se ela é a mais indicada para você, pesando os prós e contras da modalidade.

Saiba o que é preciso para levar adiante um curso a distância e o perfil da maioria do estudantes que procuram a modalidade:

  • Alguns requisitos

Tempo e disciplina - Quem planeja cursar uma graduação a distância deve reservar horários específicos para o estudo individual. Como nem todas as atividades de uma graduação a distância são feitas pela internet, também é necessário ter tempo para frequentar o polo de apoio presencial nos dias definidos previamente pela instituição de ensino.

Familiaridade com a internet - Além de assistir às aulas transmitidas pela internet, o aluno precisa postar atividades e trabalhos pela web. Portanto, é fundamental saber lidar com a tecnologia.

Computador com acesso à web - Embora o MEC exija que os pólos de apoio ofereçam laboratórios
com computador e acesso à internet, contar com essa estrutura em casa facilita os estudos. O aluno não precisa se deslocar até o polo e pode acessar as atividades a qualquer hora do dia ou da noite. A conexão discada é suficiente para os conteúdos apresentados por escrito. Já para assistir aos vídeos o ideal é ter internet banda larga.

  • Perfil

Renda - Por apresentarem mensalidades mais baratas, os cursos a distância ofertados por instituições particulares são procurados por alunos de menor renda que os da educação presencial.

Atividade - A modalidade também
atrai pessoas que não podem frequentar um curso presencial devido a compromissos profissionais. Segundo o pró-diretor de educação a distância do Grupo Uninter, Benhur Gaio, 96% dos alunos estão no mercado de trabalho.

Faixa etária - Os cursos a distância são procurados principalmente por adultos. Segundo o CensoEAD.br, a maior parte dos estudantes tem entre 30 e 34 anos.

Os cursos de graduação a distância têm a mesma duração dos cursos presenciais e também passam pelos processos de avaliação e reconhecimento pelo Ministério da Educação.


Fonte: Gazeta do Povo

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vestibular2009/conteudo.phtml?tl=1&id=932466&tit=As-vantagens-da-graduacao-a-distancia


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Embromação a Distância? por Cláudio de Moura Castro

"No seu conjunto, as avaliações não deixam
dúvidas: é possível aprender a distância”.

Novidade incerta? Mais um conto do vigário? Ilustres filósofos e distinguidos educadores torcem o nariz para o ensino a distância (EAD).

Logo após a criação dos selos de correio, os novidadeiros correram a inventar um ensino por correspondência. Isso foi na Inglaterra, em meados do século XIX. No limiar do século XX, os Estados Unidos já ofereciam cursos superiores pelo correio. Na década de 30, três quartos dos engenheiros russos foram formados assim. Ou seja, novo não é.

EAD significa que alunos e professores estão espacialmente separados – pelo menos boa parte do tempo. O modo como vão se comunicar as duas partes depende da tecnologia existente. No começo, era só por correio. Depois apareceu o rádio – com enorme eficácia e baixíssimo custo.

Mais tarde veio a TV, área em que Brasil e México são líderes mundiais (com o Telecurso e a Telesecundaria). Com a internet, EAD vira e-learning, oferecendo, em tempo real, a possibilidade de ida e volta da comunicação. Na prática, a tecnologia nova se soma à velha, não a substitui: bons programas usam livros, o venerando correio, TV e internet. Quando possíveis, os encontros presenciais são altamente produtivos, como é o caso do nosso ensino superior que adota centros de recepção, com apoio de professores "ao vivo" para os alunos.

Há embromação, como seria esperado. Há apostilas digitalizadas vendidas como cursos de nomes pomposos. Mas e daí? Que área escapa dos vigaristas? Vemos no EAD até cuidados inexistentes no ensino presencial, como a exigência de provas presenciais e fiscalização dos postos de recepção organizada (nos cursos superiores).

Nos cursos curtos, não há esse problema. Mas, no caso dos longos, o calcanhar de aquiles do EAD é a dificuldade de manter a motivação dos alunos. Evitar o abandono é uma luta ingente. Na prática, exige pessoas mais maduras e mais disciplinadas, pois são quatro anos estudando sozinhas. As telessalas, que reúnem os alunos com um monitor, têm o papel fundamental de criar um grupo solidário e dar ritmo aos estudos. E, se o patrão paga a conta, cai a deserção, pois abandonar o curso atrapalha a carreira. Também estimula a persistência se o diploma abre portas para empregos e traz benefícios tangíveis – o que explica o sucesso do Telecurso.

Mas falta perguntar: funciona? Prestam os resultados? Felizmente, houve muita avaliação. Vejamos dois exemplos bem diferentes. Na década de 70, com Lúcia Guaranys, avaliei os típicos cursos de radiotécnico e outros, anunciados nas mídias populares. Para os que conseguiam se graduar, os resultados eram espetaculares. Em média, os alunos levavam menos de um ano para recuperar os gastos com o curso. Em um mestrado de engenharia elétrica de Stanford, foi feito um vídeo que era, em seguida, apresentado para engenheiros da HP. Uma pesquisa mostrou que, no final do curso, os engenheiros da HP tiravam notas melhores do que os alunos presenciais. Os efeitos do Telecurso são também muito sólidos.

Para os que se escandalizam com a qualidade do nosso ensino superior, sua versão EAD é ainda mais nefanda. Contudo, o Enade (o novo Provão) trouxe novidades interessantes. Em metade dos cursos avaliados, os programas a distância mostram resultados melhores do que os presenciais! Por quê? Sabe-se que a aprendizagem "ativa" (em que o aluno lê, escreve, busca, responde) é superior à "passiva" (em que o aluno apenas ouve o professor). Na prática, em boa parte das nossas faculdades, estudar é apenas passar vinte horas por semana ouvindo o professor ou cochilando. Mas isso não é possível no EAD. Para preencher o tempo legalmente estipulado, o aluno tem de ler, fazer exercícios, buscar informações etc. Portanto, mesmo nos cursos sem maiores distinções, o EAD acaba sendo uma aprendizagem interativa, com todas as vantagens que decorrem daí.

No seu conjunto, as avaliações não deixam dúvidas: é possível aprender a distância. Cada vez mais, o presencial se combina com segmentos a distância, com o uso da internet, e-learning, vídeos do tipo YouTube e até com o prosaico celular. A educação presencial bolorenta está sendo ameaçada pelas múltiplas combinações do presencial com tecnologia e distância.


Claudio de Moura Castro é economista
Fonte: Revista Veja Ed. 2108 - 15/04/2009